Em resumo
- Nome científico
- Elaeagnus umbellata Thunb., família Elaeagnaceae
- Nomes comuns
- silverberry, autumn olive, autumnberry; em Portugal, oliveira-de-outono, acerola-japonesa, alegria-dos-pássaros, groselha-dos-Açores[9]
- Origem
- Ásia oriental, dos Himalaias ao Japão, passando pela China e pela Coreia[9]
- Porte
- arbusto caducifólio de vários troncos; pode chegar a 5 m de altura e de largura em seis anos[3]
- Floração
- maio–junho; flores pequenas, branco-creme, perfumadas, polinizadas por abelhas[3][9]
- Colheita
- setembro–outubro (até novembro, conforme o clima)
- Produção
- 0,5 a 15 kg por planta e por ano, em ensaios nos EUA[2]
- Destaque
- 15 a 54 mg de licopeno por 100 g de fruto fresco (o tomate fresco tem ≈ 3 mg)[1]
- Na agricultura
- fixa azoto do ar, tolera solos pobres e ácidos, resiste à seca e ao frio[3]
A planta
A silverberry é um arbusto denso, de crescimento rápido e tão largo como alto. O nome vem das pequenas escamas prateadas que cobrem as folhas (sobretudo a página inferior), os ramos jovens e o próprio fruto. De longe, o arbusto parece verde-acinzentado.
- Folhas: simples e alternas, com 3–10 cm de comprimento, verdes por cima e prateadas por baixo[3].
- Flores: 1–2 cm, sem pétalas, hermafroditas e muito perfumadas. Atraem abelhas e outros polinizadores[3].
- Fruto: drupa carnuda e vermelha com uma única semente, coberta de pintas prateadas.
- Raízes: têm nódulos com bactérias do género Frankia que fixam o azoto do ar, por isso a planta cresce bem em solos pobres[3][10].

O ano da silverberry
- dez.–fev.Repouso. Poda de formação e de limpeza.
- mar.–abr.Rebentação das folhas prateadas.
- mai.–jun.Floração perfumada e polinização por insetos.
- jul.–ago.Crescimento do fruto, ainda verde-prateado.
- set.–out.Maturação e colheita: o fruto fica vermelho-escuro.
- nov.Queda da folha. Últimos frutos nas variedades tardias.
Origem e história
A espécie é nativa da Ásia oriental, dos Himalaias ao Japão[9]. Nessas regiões o fruto é colhido e comido há muito tempo[1].
- c. 1830 Introduzida no Reino Unido e nos Estados Unidos como planta ornamental[3].
- Séc. XX Nos EUA foi muito plantada para recuperar terrenos de minas, segurar taludes e alimentar a fauna. Aí tornou-se invasora em várias regiões[10].
- 2001 O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) descobre que o fruto é das fontes mais ricas de licopeno conhecidas[1].
- 2005 Ensaios nos EUA concluem que pode ser uma cultura comercial viável, com colheita mecânica e poucos fatores de produção[2].
- 2012 A Bracara Gourmet começa a cultivar silverberry em Braga.
- 2014–2016 Investigação portuguesa analisa bagas e folhas colhidas no Funchal e refere o interesse em multiplicar a planta para produzir fruto[5].
Em Portugal continental existe sobretudo como ornamental e, pontualmente, subespontânea[9]. Não há produção comercial conhecida: é uma cultura nova no país.
O fruto

- Aspeto: pequena baga redonda, vermelho-vivo a vermelho-escuro, com pintas prateadas.
- Semente: uma por fruto, cerca de 10 % do peso[2].
- Sabor: doce-ácido e sumarento[7]. Antes de bem maduro é ligeiramente adstringente.
- Açúcar: 16,5 °Brix nas bagas colhidas no Funchal, o valor mais alto entre as bagas estudadas nesse trabalho[5].
- Cor: o vermelho vem do licopeno, o mesmo pigmento do tomate. Há uma variedade amarela ('Charlie's Golden') quase sem licopeno[1].
- Conservação: o fruto fresco é perecível. Congela-se bem e é assim que se guarda para o resto do ano.
Composição
O que distingue a silverberry é a concentração de carotenoides (os pigmentos vermelhos e laranja) e de compostos fenólicos. Os valores variam com a variedade, o clima e a maturação.
Licopeno, em mg por 100 g[1]
- Tomate fresco3
- Concentrado de tomate29
- Silverberry (fruto fresco)15–54
| Componente | Valor de referência | Nota |
|---|---|---|
| Licopeno | 15–54 mg/100 g | 72–82 % dos carotenoides do fruto vermelho [1] |
| β-criptoxantina | ≈ 10× a da laranja | outro carotenoide abundante [1] |
| Outros carotenoides | β-caroteno, luteína, fitoeno, fitoflueno | [1] |
| Polifenóis totais | 190–434 mg GAE/100 g | fruto fresco [4]; até ≈ 3 400 mg GAE/kg noutras seleções [8] |
| Vitamina E | elevada | superior à do morango, mirtilo e amora [4] |
| Vitamina C | ≈ 12–17 mg/100 g | [8] |
| Flavonoides | derivados de canferol, quercetina e isoramnetina | 28 compostos identificados nas bagas, 42 nas folhas [5] |
| Catequina | principal fenólico em alguns estudos | 154 mg/100 g no fruto liofilizado [7] |
Liofilizar conserva mais: num estudo de 2024, o fruto liofilizado manteve cerca de 4 vezes mais polifenóis do que o seco por atomização[7]. Isto conta para quem quiser fazer pós, snacks ou chás.
O que a ciência estuda
Por ser rica em licopeno e polifenóis, a silverberry tem sido estudada em laboratório. Os resultados mais citados incluem:
- Atividade antioxidante elevada dos extratos do fruto e da folha[6][5].
- Inibição de enzimas digestivas ligadas à absorção de açúcares, em ensaios in vitro[5].
- Efeitos no metabolismo dos lípidos num organismo-modelo (o verme C. elegans)[7].
⚠️ São estudos de laboratório, em células ou em animais. Não demonstram efeitos na saúde humana e não autorizam alegações de saúde em produtos (Regulamento (CE) n.º 1924/2006). O valor seguro e verificável da silverberry é a sua composição.
Cultivo
É uma planta rústica e de baixa manutenção. Os ensaios norte-americanos destacam a produtividade com poucos fatores de produção e a possibilidade de colheita mecânica, sobretudo em solos pobres[2].
Clima
Muito resistente ao frio (aguenta até –40 °C) e, depois de instalada, à seca[3]. Adapta-se bem ao clima do Minho.
Solo
Tolera solos pobres, ácidos e degradados. Prefere pH 4,8–6,5 e evita solos muito calcários ou pouco profundos[3].
Luz
Sol pleno ou meia-sombra ligeira. As plantas jovens não toleram sombra[3].
Adubação
Como fixa azoto, dispensa adubos azotados. Parte desse azoto fica disponível para as plantas vizinhas[3].
Sanidade
Notavelmente resistente à armilária (podridão das raízes)[3]. Não exige tratamentos regulares.
Porte
Cresce depressa, até 5 m em seis anos[3]. A poda de inverno mantém-na à altura da colheita.
Propagação
- Por semente: precisa de frio para germinar. Com 16 semanas a 5 °C, obtém-se cerca de 90 % de germinação em duas semanas[3]. Plantas de semente dão fruto ao fim de 5–6 anos[3] e o fruto varia de planta para planta.
- Por estaca: estacas semi-lenhosas, com talão, em julho–agosto[3]. Mantêm as características da planta-mãe, por isso são o método indicado para multiplicar as melhores plantas.
Variedades
Nos EUA há variedades selecionadas para fruto: 'Jewel', 'Delightful', 'Brilliant Rose' e 'Sweet 'n' Tart' (vermelhas, ricas em licopeno) e 'Charlie's Golden' (amarela)[1]; 'Jazbo' foi selecionada pelo fruto para doces[3]. O teor de licopeno varia muito entre plantas, o que abre espaço a seleção de plantas adaptadas a Portugal[1][2].
Produção e colheita
- Produtividade: 0,5 a 15 kg por planta e por ano nos ensaios de Maryland, conforme a variedade e a idade[2].
- Polinização: feita por insetos. Ter várias plantas e variedades no pomar ajuda a frutificação.
- Colheita: à mão, ou sacudindo os ramos sobre panos. Em ensaios usou-se uma máquina de colher mirtilos em plantas podadas para o efeito[2].
- Pós-colheita: refrigerar logo e consumir em poucos dias, ou congelar no próprio dia.
Usos e transformação
O fruto doce-ácido presta-se a muitas preparações[1]:
- Fresco, na época
- Doces e geleias, o uso mais tradicional
- Sumos e néctares
- Purés congelados para taças e batidos
- Molhos e condimentos
- Desidratado ou liofilizado, para snacks, pós e granolas
- Infusões de fruto desidratado e de folha
- Pastelaria: bolos, queques, recheios
Como o licopeno não se dissolve em água, a cor mantém-se bem nos produtos cozinhados.

Gestão responsável
Qualquer conversa séria sobre a silverberry tem de incluir este tema. A planta produz muitas sementes, que as aves espalham, e nos EUA tornou-se invasora em várias regiões, onde foi plantada em grande escala junto a habitats naturais[10][3].
O que diz a experiência na Europa
No Reino Unido é cultivada em parques e jardins há quase 200 anos sem sinais de comportamento invasor. Em ensaios florestais monitorizados não houve regeneração espontânea[3].
O que diz a lei portuguesa
A Elaeagnus umbellata não consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras (Anexo II do Decreto-Lei n.º 92/2019)[11]. A lista é revista periodicamente e deve ser confirmada junto do ICNF.
Boas práticas que seguimos e recomendamos
- Cultivar em pomar gerido, nunca em sebes soltas ou em áreas naturais.
- Colher todo o fruto. É o que tem valor e é também o que as aves dispersariam.
- Afastar o pomar de matas, linhas de água e áreas protegidas.
- Vigiar e arrancar plântulas que apareçam fora do pomar.
- Multiplicar por estaca as plantas escolhidas, em vez de espalhar semente.
Bem gerida, a planta traz benefícios: fixa azoto, protege o solo da erosão, serve de abrigo do vento e dá flor às abelhas[3].
A experiência Bracara Gourmet

- 2012 Primeiras plantas em Braga.
- 2019 Site, loja online e primeiros produtos: doce de silverberry e de laranja, physalis, amêndoa e avelã.
- 2020 Programa de ignição de ideias de negócio (Ignilab) e Laboratório de Empresas: projeto «Silverberry, um superalimento», com 115 plantas e plano de parceria com a Universidade do Minho.
- 2026 140 plantas em produção. Relançamento com foco no fornecimento de fruto a parceiros.
Em 14 anos aprendemos como a planta se comporta no Minho: quando floresce, quando amadurece, como se colhe e como se transforma. Esse conhecimento prático é raro em Portugal e é o que podemos partilhar.
Uma oportunidade para escolas agrícolas e municípios
A silverberry junta inovação agrícola, alimentação saudável e gestão ambiental, o que faz dela um bom tema para o ensino profissional agrícola e para o desenvolvimento local.
Pomar demonstrativo
Uma pequena parcela na escola, com várias plantas, para aulas práticas de instalação, poda, colheita e propagação.
Ensaios com alunos
Comparar plantas, medir produção e maturação, testar propagação por estaca. Dados novos sobre uma cultura sem histórico em Portugal.
Transformação
Desenvolver doces, sumos, desidratados ou chás na unidade agroalimentar da escola, com análises e rotulagem.
Ciência aplicada
Medir licopeno e polifenóis do fruto português, em parceria com uma universidade.
Diversificação para agricultores
Formação sobre uma cultura rústica, adequada a solos pobres, como fonte de rendimento complementar.
Produto do território
Um produto local diferenciador para mercados, feiras e restauração do concelho.
O que a Bracara Gourmet pode trazer: 14 anos de experiência de cultivo, fruto para ensaios, material de propagação das nossas plantas e acompanhamento técnico.
Perguntas frequentes
A silverberry é comestível?
Sim. O fruto maduro come-se fresco ou transformado e é consumido há muito tempo na Ásia[1].
A que sabe?
Doce-ácido e sumarento, com uma ligeira adstringência que desaparece quando o fruto está bem maduro.
É o mesmo que a goji ou o espinheiro-amarelo?
Não. A goji é de outra família (Lycium). O espinheiro-amarelo (Hippophae) é da mesma família da silverberry, mas é outra espécie, com fruto laranja.
É invasora em Portugal?
Não consta da Lista Nacional de Espécies Invasoras. É invasora nos EUA, e por isso recomendamos as boas práticas descritas em Gestão responsável.
Quanto tempo demora a produzir?
Plantas de semente frutificam ao fim de 5–6 anos[3]. Plantas de estaca de exemplares adultos tendem a entrar em produção mais cedo.
Onde se pode ver e provar?
No pomar da Bracara Gourmet, em Braga, durante a época (setembro–outubro). Escreva-nos.
Fontes
- Fordham, I.M., Clevidence, B.A., Wiley, E.R. & Zimmerman, R.H. (2001). Fruit of autumn olive: a rich source of lycopene. HortScience 36(6): 1136–1137. ligação
- Black, B.L., Fordham, I.M. & Perkins-Veazie, P. (2005). Autumnberry (Elaeagnus umbellata): a potential cash crop. Journal of the American Pomological Society. ligação
- Clark, J. & Hemery, G. (2006). The use of the autumn olive in British forestry. Quarterly Journal of Forestry 100(4): 285–288.
- Pei, R., Yu, M., Bruno, R. & Bolling, B.W. (2015). Phenolic and tocopherol content of autumn olive (Elaeagnus umbellata) berries. Journal of Functional Foods 16: 305–314.
- Pinto, J.C.N. (2016). Estudo da composição e das propriedades bioactivas de plantas produtoras de bagas. Dissertação de Mestrado em Bioquímica Aplicada (amostras colhidas no Funchal, 2014).
- Gamba, G. et al. (2020). Phytochemical characterization and bioactivity evaluation of autumn olive (Elaeagnus umbellata Thunb.) pseudodrupes. Applied Sciences 10(12): 4354. ligação
- Kim, Y., Nam, S., Lim, J. & Jang, M. (2024). Autumn olive (Elaeagnus umbellata Thunb.) berries improve lipid metabolism and delay aging in middle-aged Caenorhabditis elegans. International Journal of Molecular Sciences 25(6): 3418. ligação
- Petrescu, A. & Paraschiv, M. (2022). Journal of Horticulture, Forestry and Biotechnology (2022, n.º IV). ligação
- Jardim Botânico da UTAD. Flora Digital de Portugal: Elaeagnus umbellata Thunb. ligação
- Dornbos, D.L., Smit, K.B. & Tubergen, P.J. (2015). Influence of autumn olive (Elaeagnus umbellata) on plant community composition and soil fertility. Calvin College.
- Decreto-Lei n.º 92/2019, de 10 de julho (regime das espécies exóticas da flora e fauna; Anexo II: Lista Nacional de Espécies Invasoras). ligação
Informação de divulgação técnica e científica. Não constitui aconselhamento nutricional nem alegação de saúde.
